Crise de julho: os dias que antecederam a Primeira Guerra Mundial.

By | 4 de agosto de 2017

Capa do New York Times, de 29 de junho de 1914, noticiando o assassinato de Francisco Ferdinando.

Transcorreram-se exatos trinta dias do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em Sarajevo, no dia 28 de junho de 1914, até que a declaração de guerra do Império Austro-Húngaro chegasse à Sérvia, em 28 de julho daquele ano, fato que levaria a Europa à catástrofe da guerra generalizada. Este lapso de tempo foi o suficiente para que os acordos e alianças tecidos ao longo de anos anteriores fossem postos em prática, fazendo eclodir a Primeira Guerra Mundial. Oito dias após findo o ultimato da Áustria-Hungria à Sérvia, oito países europeus, sendo cinco das seis grandes potências do continente, estavam em guerra declarada com um de seus vizinhos (SONDHAUS, 2015, p. 74). Das potências, apenas a Itália, apesar de fazer parte da Tríplice Aliança, havia declarado neutralidade.

A primeira medida do Império Austro-Húngaro após o atentado, foi enviar um emissário à Alemanha para certificar-se do apoio do Kaiser Guilherme II a uma possível ofensiva militar contra a Sérvia. Isso porque, embora sozinha a Áustria-Hungria fosse capaz de liquidar a Sérvia, envolvia os riscos de a Rússia tomar parte do conflito, de forma que sem o apoio alemão, possivelmente a monarquia dual não se aventuraria em uma guerra sob o risco de ver-se envolvida num conflito militar com a Rússia.

No dia 07 de julho, nove dias, portanto, após o Atentado de Sarajevo, Hoyos, o emissário austro-húngaro, estava de volta à Viena com a garantia de apoio da Alemanha, que naquele momento não só incentivou o conflito, como nos dias imediatamente seguintes, usou de toda sua influência sobre a Áustria-Hungria para provocar a guerra.  Assim, a 19 de julho, o alto comando do governo da Áustria-Hungria reuniu-se para redigir o ultimato que seria entregue à Sérvia, com a intenção clara de criar condições que ao governo sérvio fosse impossível aceitar sem que sua soberania ficasse seriamente afetada. O ultimato foi entregue às 18h do dia 23 de julho, com prazo de 48 horas para aceitação incondicional, passados mais de vinte dias dos fatos em Sarajevo. O tempo corria contra o governo austríaco, uma vez que arrefecia-se a indignação internacional pelo assassinato de Francisco Ferdinando. No entanto, embora tenha-se especulado diversos fatores para o atraso do Império em seu ultimado à Sérvia, o mais certo é que possivelmente, a decisão da guerra já teria sido tomada tão logo Hoyos voltou da Alemanha com a certeza do apoio, porém, algumas fontes apontam que o Estado-Maior austro-húngaro retardou a ação para dar tempo ao exército em reagrupar suas tropas, uma vez que parte dos soldados estavam em licença de verão para realizar a colheita anual.

Do outro lado da fronteira, a Sérvia vivia um tenso momento de eleições internas, de forma que periclitava entre dar demonstrações de boa vontade para com a Áustria-Hungria — enquanto esperava uma sinalização de apoio da Rússia — ao passo que seus políticos, inclusive Pašic, primeiro-ministro que concorria à reeleição, faziam discursos inflamados recheados de hostilidades ao Império. Sem a certeza do apoio russo até momentos antes do prazo de vencimento do ultimato, o governo sérvio buscou manobrar a fim de convencer a opinião pública internacional, propondo, inclusive, mediação do tribunal internacional para crise. Por fim, aceitou os termos do ultimato de forma parcial, rejeitando o polêmico ponto seis e aceitando o cinco parcialmente. A 26 de julho o czar Nicolau II deu início à mobilização do exército russo, abrindo os precedentes que os alemães esperavam para manipular a opinião pública interna contra a Rússia, apontando a movimentação das tropas do czar como o primeiro ato de agressão colocando, então em prática o plano Schlieffen, que desde a formalização da aliança franco-russa, previa, em caso de guerra contra qualquer um dos dois, uma rápida ação primeiro contra a França para depois liquidar a Rússia.

Às 16h do dia 28 de julho, o Império Austro-Húngaro iniciou seus ataques contra a Sérvia.


Para entender de forma mais aprofundada a Primeira Guerra Mundial, sugerimos abaixo uma leitura sequencial das seguintes postagens:

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