O Tratado de Versalhes e o fim da Primeira Guerra Mundial.

Início das negociações do Tratao de Versalhes, em Paris. Imagem: Helen Johns Kirtland (1890-1979) and Lucian Swift Kirtland (died 1965) (US National Archives

Quando a 11 de novembro de 1918, às 16h, Georges Clemenceau, chefe do governo da França, leu para o parlamento francês os termos do armistício, descortinando para o mundo a vitória Aliada sobre uma já impotente Alemanha, as ruas das grandes cidades dos países Aliados foram tomadas por populares festejando o fim da guerra e a derrota alemã. Em todos os países e em todos os cantos do mundo, a vitoria dos Aliados foi recebida com grande euforia. No entanto, era hora de contar os mortos e ajustar os termos da paz, que aliás, duraria pouco.

A primeira plenária da Conferência de Paz se reuniu à 18 de janeiro de 1919, em Paris, com a presença das principais nações vencedoras, França, Grã-Bretanha, Itália, Estados Unidos, além de representação do Japão e demais países Aliados e Associados nos esforços de guerra. A Rússia, que havia feito a paz em separado com a Alemanha, saindo da guerra em 1917, não teve representação na Conferência. Ali, buscaram o consenso sobre os principais pontos do Tratado, mediante a reflexão dos Catorze Pontos de Wilson, debatendo, entre idas e vindas:

  • A devolução da Alsácia-Lorena a França;
  • A abertura de uma saída ao mar para a Polônia, por meio de um corredor em território alemão ao porto de Danzig;
  • A redistribuição das colônias alemãs entre os vencedores;
  • O desarmamento do exército alemão, reduzido a uma pequena força profissional, sem recrutamento;
  • A redução da marinha alemã a uma frota do tamanho da frota sueca, sem submarinos;
  • A continuidade da ocupação da Renânia, até que seu destino fosse decidido a longo prazo;
  • A responsabilização formal da Alemanha pelas custos e prejuízos da guerra aos países aliados;
  • A formação de uma Liga das Nações.

Enfim,

“O Tratado reconhecia que as diminuições permanentes dos recursos da Alemanha decorrentes de cláusulas territoriais […] a deixariam incapaz de fazer uma reparação completa da destruição que causara na guerra, mas obrigava o país a pagar por todos os danos causados à população civil das Potências Aliadas e Associadas e à sua propriedade durante o período de beligerância, com a conta total da reparação a ser determinada em uma data posterior (finalmente, fixada em 1921, em 132 bilhões de marcos de ouro ou 34 bilhões de dólares dos Estados Unidos). Por fim, o Tratado incluiu a seguinte cláusula de culpa de guerra, consagrado no artigo 231: A Alemanha aceita sua própria responsabilidade e de seus aliados por causar todas as perdas e danos que os governos Aliados e Associados  e seus cidadãos foram submetidos como consequência da guerra que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e seus aliados.” (SONDHAUS, 2015, p. 501)

Os alemães só tiveram acesso aos termos finais do Tratado em maio de 1919 e protestaram veementemente contra as humilhantes condições a que estavam sendo submetidos. No entanto, não lhes restou saída, senão a aceitação, sob ameaças da retomada das hostilidades e eventual invasão de Berlim pelas forças Aliadas. A 28 de junho daquele mesmo ano, exatamente cinco anos após o Atentado de Sarajevo, o governo alemão capitulou definitivamente ante os Aliados e assinou o Tratado, no salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes, onde quarenta e oito anos antes, vitorioso sobre a França, Otto von Bismarck selava a Unificação Alemã, consagrando Guilherme I rei da Alemanha.

Para as nações vitoriosas, o Tratado de Versalhes significava a solução encontrada para uma paz duradora, a história, no entanto, provou o contrário. Vinte e um anos após a aceitação do Tratado, a Alemanha estava revigorada, pronta para por por terra a tentativa fracassada de paz no mundo. Nas palavras do historiador inglês, Eric Hobsbawn:

“por fim, as potências vitoriosas buscavam desesperadamente o tipo de acordo de paz que tornasse impossível outra guerra como a que acabara de devastar o mundo e cujos efeitos retardados estavam por toda a parte. Fracassaram da forma mais espetacular. Vinte e um anos depois o mundo estava de novo em guerra” (HOBSBAWN, 1994, P.40).

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