A Unificação da Alemanha e a Primeira Guerra Mundial.

By | 31 de julho de 2017

Após a derrota da França nas Guerras Napoleônicas, as principais potências europeias se reuniram no Congresso de Viena, que se estendeu de setembro de 1814 à abril de 1815, para deliberar sobre um novo redesenho político no continente. De uma das deliberações do Congresso, surgiu a Confederação Germânica, que culminaria, posteriormente, na unificação alemã, sob a liderança da Prússia.

Antes da unificação, em 1871, a Alemanha como Estado não existia, mas sim um conglomerado de Estados independentes entre si, sob a influência de dois principais reinos, o da Prússia e o da Áustria, que disputavam a preponderância sobre os demais estados alemães e concorriam entre si.

Com a chegada de Otto Von Bismarck ao poder na Prússia, alçado ao posto de chanceler pelo rei Guilherme I, a Prússia deu um passo decisivo em direção à supremacia sobre os demais reinos germânicos, isolando a Áustria e conquistando, por meio de três guerras consecutivas, a unificação da Alemanha, em 1871.

A primeira guerra de Bismarck pela unificação, foi provocada contra a Dinamarca. Aproveitando-se da morte do rei dinamarquês Cristiano IX, os prussianos anexaram aos estados alemães, com a ajuda da Áustria, dois Ducados do reino da Dinamarca, Schleswig e Holstein. Divergindo com a Áustria sobre a administração dos Ducados recém anexados, Bismarck manipulou a situação ao ponto máximo de divergência contra os austríacos, afim de provocar uma nova guerra, eliminando de vez as pretensões austríacas sobre a Unificação. Vencida facilmente pela Prússia em 1866, a Áustria formou com a Hungria o Império Austro-Húngaro.

Faltava ainda, à Bismarck, a anexação dos reinos do sul, sob forte influência da França. Bismarck sabia que só uma guerra contra os franceses seria capaz de levar à unificação definitiva da Alemanha. Assim, por ocasião da sucessão de um rei espanhol, cujo trono foi oferecido à Leopoldo Hohenzollern, príncipe ligado ao rei da Prússia, Bismarck encontrou o pretexto perfeito para guerrear a França. Incomodado como avanço prussiano na Europa, Napoleão III, imperador da França, opôs-se a presença da Prússia no trono espanhol. Bismarck, para inflar ainda mais a animosidade contra a França, adulterou um telegrama do rei prussiano, Guilherme I, ao governo francês, onde insultava o povo da França, afim de provocar a guerra. Com um exército desorganizado, ainda assim a França declarou guerra à Prússia, em 1870, sendo vencida em 1871.

Após a guerra Franco-Prussiana, Bismarck concluiu, de forma definitiva, a unificação alemã. Guilherme I foi declarado, com o consentimento dos príncipes e aliados germânicos, imperador da Alemanha. Para a França, a guerra foi desastrosa, uma vez que vencida, foi invadida pelos alemães e teve que ceder parte de seus territórios, inclusive, a região da Alsácia-Lorena, rica em recursos minerais.

A unificação deu novo impulso econômico a Alemanha, acelerando seu processo de industrialização e colocando-a em par de igualdade para com outras potências europeias, a própria França e, principalmente, Inglaterra, para quem tornaria-se uma concorrente de peso na disputa imperial global. A questões, motivadas e geradas a partir da unificação alemã desembocariam em mais um doloroso capítulo da história da humanidade, quando em 1914, estouraria a Primeira Guerra Mundial.

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