Primeira crise do Marrocos entre França e Alemanha em 1905 e a visita de Guilherme II à Tanger.

Visita de Guilherme II, Kaiser alemão, ao Marrocos em 1905, desencadeou a primeira crise do Marrocos entre França, Alemanha e outras potências europeias.

Em março de 1905, de volta de um cruzeiro a bordo do vapor Hamburg, o Kaiser alemão, Guilherme II, desembarcou em Tânger, no Marrocos, desencadeando uma, de tantas e graves crises que antecederam a Primeira Guerra Mundial que quase levaram a Europa à guerra generalizada antes de 1914. Na ocasião, o que pretendia o governo alemão, era criar uma agenda de conflito com a França, fazendo cindir a aliança recém-formada desta com a Inglaterra — a Entente Cordiale — e reafirmar o papel da Alemanha frente às questões internacionais que envolviam colônias europeias. Foi um tiro que saiu pela culatra. A crise ajudou a isolar a Alemanha e reforçar a aliança anglo-francesa, assim como a aliança franco-russa.

A visita de Guilherme II ao Marrocos na primavera de 1905 foi um erro de cálculo do governo alemão e um grave incidente diplomático, assim como aconteceria anos depois, também no Marrocos, no incidente de Agadir. No entanto, o governo alemão, a despeito da plena vontade do Kaiser, entendia que o momento era oportuno para, ao afrontar a França no Marrocos, testar a consistência da aliança entre ingleses e franceses, firmada e assinada no ano anterior (abril de 1904). O governo alemão entendia também que a outra aliada francesa, a Rússia, embora provinda de uma aliança mais antiga e aparentemente mais consistente com a França estava em total debilidade após a derrota contra o Japão para apoiar a França, tanto diplomática, quanto militarmente, se necessário fosse, em caso de uma guerra decorrente da questão marroquina. Contava ainda, a Alemanha, com um suposto apoio dos Estados Unidos para manter o Marrocos livre da influência dominante dos franceses, apostando em uma política de “portas abertas” defendida pelos EUA para a China anos antes.

Nada, no entanto, se concretizou assim de forma tão perfeita como planejara os alemães. Roosevelt, presidente americano, deixou claro à Alemanha que os americanos não tinham no Marrocos interesses suficientes para que seu governo se envolvesse na questão. E quanto a aliança anglo-francesa, o governo inglês decretou aberto apoio à causa francesa, fortalecendo os laços da Entente. A Alemanha, se viu assim, forçada, em 1906, após uma conferência internacional para dirimir a questão, a engolir o domínio francês no Marrocos e lidar com seus principais adversários — França, Inglaterra e Rússia — em uma aliança ainda mais consolidada.

Em 1898 França e Inglaterra haviam estremecido as relações após o episódio de Fashoda, uma insignificante província egipicia. O caso foi resolvido com o aceno da Inglaterra ao governo francês de que este poderia, em troca do Egito, apossar-se do Marrocos com o apoio inglês. Assim fez a França, ferindo um acordo entre as potências, de 1880, que previa que o Marrocos continuasse como país ‘independente’, em condições de atender aos interesses de todos os países europeus que ali mantivessem negócios. O domínio francês sobre o país africano nunca foi aceito pela Alemanha, que ao longo do tempo, buscou de todas as formas encontrar meios para inflar resistência entre os marroquinos contra a presença francesa. Assim, naquela primavera de 1905, quando Guilherme II desceu à terra firme e cruzou a cidade de Tânger sob o lombo de um cavalo árabe, foi vivamente ovacionado e festejado pelas ruas onde passava, saudado como uma espécie de herói da libertação marroquina.

A crise do Marrocos, como ficou conhecida a questão, foi resolvida em uma conferência em Algeciras (Espanha), com firme apoio da Inglaterra e Rússia à França e uma parca participação dos EUA, onde ficou definido que França e Espanha dividiriam o país em zonas de domínios e manteriam o controle sobre o banco estatal e policiamento dos principais portos. Internamente, levou a Alemanha à uma crise política e à quase demissão de Bernhard von Bulow, o chanceler alemão, arquiteto da visita de Guilherme II à Tanger.

Crise de julho: os dias que antecederam a Primeira Guerra Mundial.

Capa do New York Times, de 29 de junho de 1914, noticiando o assassinato de Francisco Ferdinando.

Transcorreram-se exatos trinta dias do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em Sarajevo, no dia 28 de junho de 1914, até que a declaração de guerra do Império Austro-Húngaro chegasse à Sérvia, em 28 de julho daquele ano, fato que levaria a Europa à catástrofe da guerra generalizada. Este lapso de tempo foi o suficiente para que os acordos e alianças tecidos ao longo de anos anteriores fossem postos em prática, fazendo eclodir a Primeira Guerra Mundial. Oito dias após findo o ultimato da Áustria-Hungria à Sérvia, oito países europeus, sendo cinco das seis grandes potências do continente, estavam em guerra declarada com um de seus vizinhos (SONDHAUS, 2015, p. 74). Das potências, apenas a Itália, apesar de fazer parte da Tríplice Aliança, havia declarado neutralidade.

A primeira medida do Império Austro-Húngaro após o atentado, foi enviar um emissário à Alemanha para certificar-se do apoio do Kaiser Guilherme II a uma possível ofensiva militar contra a Sérvia. Isso porque, embora sozinha a Áustria-Hungria fosse capaz de liquidar a Sérvia, envolvia os riscos de a Rússia tomar parte do conflito, de forma que sem o apoio alemão, possivelmente a monarquia dual não se aventuraria em uma guerra sob o risco de ver-se envolvida num conflito militar com a Rússia.

No dia 07 de julho, nove dias, portanto, após o Atentado de Sarajevo, Hoyos, o emissário austro-húngaro, estava de volta à Viena com a garantia de apoio da Alemanha, que naquele momento não só incentivou o conflito, como nos dias imediatamente seguintes, usou de toda sua influência sobre a Áustria-Hungria para provocar a guerra.  Assim, a 19 de julho, o alto comando do governo da Áustria-Hungria reuniu-se para redigir o ultimato que seria entregue à Sérvia, com a intenção clara de criar condições que ao governo sérvio fosse impossível aceitar sem que sua soberania ficasse seriamente afetada. O ultimato foi entregue às 18h do dia 23 de julho, com prazo de 48 horas para aceitação incondicional, passados mais de vinte dias dos fatos em Sarajevo. O tempo corria contra o governo austríaco, uma vez que arrefecia-se a indignação internacional pelo assassinato de Francisco Ferdinando. No entanto, embora tenha-se especulado diversos fatores para o atraso do Império em seu ultimado à Sérvia, o mais certo é que possivelmente, a decisão da guerra já teria sido tomada tão logo Hoyos voltou da Alemanha com a certeza do apoio, porém, algumas fontes apontam que o Estado-Maior austro-húngaro retardou a ação para dar tempo ao exército em reagrupar suas tropas, uma vez que parte dos soldados estavam em licença de verão para realizar a colheita anual.

Do outro lado da fronteira, a Sérvia vivia um tenso momento de eleições internas, de forma que periclitava entre dar demonstrações de boa vontade para com a Áustria-Hungria — enquanto esperava uma sinalização de apoio da Rússia — ao passo que seus políticos, inclusive Pašic, primeiro-ministro que concorria à reeleição, faziam discursos inflamados recheados de hostilidades ao Império. Sem a certeza do apoio russo até momentos antes do prazo de vencimento do ultimato, o governo sérvio buscou manobrar a fim de convencer a opinião pública internacional, propondo, inclusive, mediação do tribunal internacional para crise. Por fim, aceitou os termos do ultimato de forma parcial, rejeitando o polêmico ponto seis e aceitando o cinco parcialmente. A 26 de julho o czar Nicolau II deu início à mobilização do exército russo, abrindo os precedentes que os alemães esperavam para manipular a opinião pública interna contra a Rússia, apontando a movimentação das tropas do czar como o primeiro ato de agressão colocando, então em prática o plano Schlieffen, que desde a formalização da aliança franco-russa, previa, em caso de guerra contra qualquer um dos dois, uma rápida ação primeiro contra a França para depois liquidar a Rússia.

Às 16h do dia 28 de julho, o Império Austro-Húngaro iniciou seus ataques contra a Sérvia.


Para entender de forma mais aprofundada a Primeira Guerra Mundial, sugerimos abaixo uma leitura sequencial das seguintes postagens:

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O Assassinato do príncipe herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando.

Em 28 de junho de 1914, o príncipe herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, e sua esposa Sofia Chotek, foram assassinados em Sarajevo, capital da Bósnia, por um radical nacionalista sérvio, chamado Gavrilo Princip. O episódio entrou para a história como o Atentado de Sarajevo e foi causa imediata para o início da Primeira Guerra Mundial.

As motivações do crime remontam às intrincadas questões que envolviam os Bálcãs e os interesses das potências europeias na região desde o século XIX, no entanto, está ligado de forma mais direta à anexação da Bósnia-Hezergoniva pelo Império Austríaco em 1908, o que dificultava os planos da Sérvia de criação de uma grande nação eslava em torno de si — ideia que contava com a simpatia da Rússia — além de impossibilitar, à própria Sérvia, acesso ao mar Adriático.

No dia do atentado, o príncipe Francisco Ferdinando estava em visita oficial à Bósnia, onde passaria em revista as tropas do exército austríaco, acompanhado de sua esposa, Sofia Chotek. O atentado foi arquitetado por um capitão do serviço de segurança da Sérvia, Dragutin Dimitrijevic, que contou com o apoio de três jovens sérvios, ligados a um movimento extremista, de cunho nacionalista, denominado Mão Negra.

O episódio se desdobrou em vários capítulos ao longo do dia 28, antes que Gavrilov Princip conseguisse disparar certeiro contra Francisco Ferdinando e sua esposa, atingindo fatalmente o casal.

O assassinato do arquiduque elevou as tensões entre o império Austro-Húngaro e a Sérvia, cujas relações vinham abaladas devido influência austríaca nos Bálcãs. Assim, tardou exato um mês para que a Áustria-Hungria declarasse guerra à Sérvia, no dia 28 de julho de 1914, levando consigo para o conflito, seu aliado mais próximo, a Alemanha. Aliada dos sérvios, a Rússia entrou na guerra, com o apoio da França e Inglaterra, esta última, receosa da crescente influência alemã no cenário internacional desde a sua unificação, em 1871.

Desenrolaria-se assim, por quatro anos, a Primeira Guerra Mundial, que inauguraria, certamente, um novo capítulo na história da humanidade.

A Primeira Guerra Mundial chegaria ao fim em novembro de 1918 e em julho de 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes, oficializando o fim do conflito.

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A Unificação da Alemanha e a Primeira Guerra Mundial.

Após a derrota da França nas Guerras Napoleônicas, as principais potências europeias se reuniram no Congresso de Viena, que se estendeu de setembro de 1814 à abril de 1815, para deliberar sobre um novo redesenho político no continente. De uma das deliberações do Congresso, surgiu a Confederação Germânica, que culminaria, posteriormente, na unificação alemã, sob a liderança da Prússia.

Antes da unificação, em 1871, a Alemanha como Estado não existia, mas sim um conglomerado de Estados independentes entre si, sob a influência de dois principais reinos, o da Prússia e o da Áustria, que disputavam a preponderância sobre os demais estados alemães e concorriam entre si.

Com a chegada de Otto Von Bismarck ao poder na Prússia, alçado ao posto de chanceler pelo rei Guilherme I, a Prússia deu um passo decisivo em direção à supremacia sobre os demais reinos germânicos, isolando a Áustria e conquistando, por meio de três guerras consecutivas, a unificação da Alemanha, em 1871.

A primeira guerra de Bismarck pela unificação, foi provocada contra a Dinamarca. Aproveitando-se da morte do rei dinamarquês Cristiano IX, os prussianos anexaram aos estados alemães, com a ajuda da Áustria, dois Ducados do reino da Dinamarca, Schleswig e Holstein. Divergindo com a Áustria sobre a administração dos Ducados recém anexados, Bismarck manipulou a situação ao ponto máximo de divergência contra os austríacos, afim de provocar uma nova guerra, eliminando de vez as pretensões austríacas sobre a Unificação. Vencida facilmente pela Prússia em 1866, a Áustria formou com a Hungria o Império Austro-Húngaro.

Faltava ainda, à Bismarck, a anexação dos reinos do sul, sob forte influência da França. Bismarck sabia que só uma guerra contra os franceses seria capaz de levar à unificação definitiva da Alemanha. Assim, por ocasião da sucessão de um rei espanhol, cujo trono foi oferecido à Leopoldo Hohenzollern, príncipe ligado ao rei da Prússia, Bismarck encontrou o pretexto perfeito para guerrear a França. Incomodado como avanço prussiano na Europa, Napoleão III, imperador da França, opôs-se a presença da Prússia no trono espanhol. Bismarck, para inflar ainda mais a animosidade contra a França, adulterou um telegrama do rei prussiano, Guilherme I, ao governo francês, onde insultava o povo da França, afim de provocar a guerra. Com um exército desorganizado, ainda assim a França declarou guerra à Prússia, em 1870, sendo vencida em 1871.

Após a guerra Franco-Prussiana, Bismarck concluiu, de forma definitiva, a unificação alemã. Guilherme I foi declarado, com o consentimento dos príncipes e aliados germânicos, imperador da Alemanha. Para a França, a guerra foi desastrosa, uma vez que vencida, foi invadida pelos alemães e teve que ceder parte de seus territórios, inclusive, a região da Alsácia-Lorena, rica em recursos minerais.

A unificação deu novo impulso econômico a Alemanha, acelerando seu processo de industrialização e colocando-a em par de igualdade para com outras potências europeias, a própria França e, principalmente, Inglaterra, para quem tornaria-se uma concorrente de peso na disputa imperial global. A questões, motivadas e geradas a partir da unificação alemã desembocariam em mais um doloroso capítulo da história da humanidade, quando em 1914, estouraria a Primeira Guerra Mundial.

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Por que a Primeira Guerra Mundial é assunto importante para os dias de hoje?

Em julho de 2014 a Primeira Guerra Mundial completou cem anos desde seu início. A data marca a declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia, seguida da declaração de guerra, no início de agosto do mesmo ano, da Alemanha à França e à Rússia. Hoje, há pouco menos de vinte anos, parte de seus reflexos ainda puderam ser sentidos na Europa em toda a sua intensidade, com a crise da Iugoslávia na década de 90 e a independência do Kosovo em 1999. Isso talvez dê a dimensão do conflito, que marcou o século XX e deixou legado para boas reflexões nos dias de hoje.

Para alguns historiadores, a Primeira Guerra Mundial foi não só o evento fundamente do século XX, como também uma revolução global. A Grande Guerra chegou ao fim com o esboroamento de quatro grandes impérios — Rússia, Alemanha, Áustria-Hungria e Império Otomano — além do esgotamento econômico da Europa, que abriu espaço para o florescimento de novas potências de ímpetos imperialistas no cenário mundial, como Estados Unidos e Japão. No campo social, econômico, político e territorial, não só na Europa, como em todo o mundo, as transformações foram profundamente sentidas, como atesta SHONDHAUS (2015):

(…) governos autoritários antiquados, como Hohenzollern e Habsburgo, bem como Romanov, não tinham lugar em uma Europa pós-guerra que contava com nada menos que 11 repúblicas em um mapa redesenhado a partir da fronteira franco-germânica até bem dentro da Rússia, com o aumento líquido de seis Estados independentes e a eliminação de uma grande potência tradicional, a Áustria-Hungria. Para além da Europa, a redistribuição das ex-colônias alemãs afetou o mapa da África, do leste da Ásia e do Pacífico, enquanto o fim do Império Otomano gerou o redesenho generalizado das fronteiras no Oriente Médio (…) (SHONDHAUS, 2015, p. 12).

Segue o historiador:

Mais do que questões de fronteiras e território, a guerra também viria a revolucionar as relações de poder dentro das sociedades europeias. Na Europa de 1914, a maioria dos homens adultos não tinha direitos de voto verdadeiramente significativos; além de Portugal, que tinha acabado de derrubar o seu rei, a França tinha única república da Europa e, entre as outras cinco potências europeias, apenas a Grã-Bretanha, e só recentemente, tinha havido um movimento sério pedindo a ampliação dos direitos das mulheres incluindo o de voto.

O mundo era definitivamente outro a partir de 1918, nem mais seguro, nem mais estável, mas, talvez, virado ao avesso, com uma Europa assentada sob uma paz tão frágil, que em pouco tempo viveria novamente o assombro de uma nova guerra generalizada. Ressurgido das cinzas do primeiro conflito, a Segunda Guerra Mundial nada mais foi, vinte e um anos após o Tratado de Versalhes, do que a continuação do conflito (HOBSBAWM, 1998).

Muitos historiadores que hoje dedicam-se ao estudo da Grande Guerra, tiveram vínculos pessoais diretos com o evento que marcou a Europa de 1914 à 1918. A historiadora canadense, Margaret MacMillan, em seu livro Primeira Guerra Mundial, a guerra para acabar com as guerras, relata a experiência direta de seus dois avôs no conflito, um servindo pelo exército indiano, no Oriente Médio, outro como médico canadense num hospital da Frente Ocidental:

Minha família conserva as medalhas de ambos, uma espada presenteada por um paciente em Bagdad e uma granada de mão com que brincávamos em criança no Canadá, até alguém achar que provavelmente não estava desativada (MACMILLAN, 2014)

Assim, pouco a pouco, seja nos reconhecendo em relatos pessoais como o de MacMillan ou em fatos cotidianos, por vezes relatados na imprensa internacional, como o caso de uma granada remanescente da Primeira Guerra Mundial que em 2013 acidentalmente explodiu e matou dois operários belgas em Ypres, vamos nos percebendo o quanto o legado da guerra é extenso e importante para os dias de hoje, ainda mais quando assistimos, perplexos, os marcados retrocessos nas conquistas sociais e lutas pela cidadania, e verificamos que boa parte de muitos direitos, agora em risco, foram oriundos daquele momento em que o mundo viveu em grande ebulição.

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