A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial.

Soldados brasileiros na Primeira Guerra Mundial.

Dos países da América Latina, o Brasil foi o único a tomar parte na Primeira Guerra Mundial como país beligerante, o que lhe garantiu, inclusive, uma parda participação na Conferência de Paz de Paris que culminou na assinatura do Tratado de Versalhes. Premido pelas circunstâncias e em busca de uma oportunidade que o catapulta-se ao cenário internacional, o Brasil declarou guerra às Potências Centrais à 16 de novembro de 1917, ao lado das nações que formaram a Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Itália, reforçadas com a participação dos Estados Unidos, também a partir de 1917).

Desde o início do conflito, o Brasil, a exemplo dos demais países latinos, declaram neutralidade na guerra, tendo mudado de posicionamento ao longo do conflito, mediante pressão dos EUA e coagido pela opinião pública e por setores da elite intelectual e política do país, depois que a Alemanha adotou a guerra submarina indiscriminada, afundando navios mercantes brasileiros, com a finalidade de impedir qualquer relação comercial dos países neutros com as nações aliadas.

A entrada de Nilo Peçanha no governo brasileiro, substituindo Lauro Muller no ministério do exterior, foi fundamental para o posicionamento brasileiro na guerra, situando-se ao lado da Tríplice Entente. Após decretar o fim da neutralidade, o Brasil rompeu relações diplomáticas e comerciais com a Alemanha e além e expulsar o corpo diplomático alemão do país, confiscou quarenta e seis navios mercantes de bandeira alemã ancorados em portos brasileiros.

A participação militar do Brasil na guerra, no entanto, foi limitada a uma expedição naval, conhecida pelo nome de Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), que partiu rumo à Europa em 16 de maio de 1918, sob o comando do contra-almirante Pedro Max de Frontin, juntamente com uma missão do exército, chefiada pelo médico e então deputado Nabuco Gouveia, que formou, na França, o Hospital do Brasil, para atendimento de feridos de guerra (FAGUNDES, 2017). A divisão Brasileira, porém, após enfrentar no caminho uma forte epidemia de gripe espanhola, chegou ao destino, o porto de Gibraltar, apenas um dia antes do armistício de 11 de novembro de 1918 que pôs fim ao conflito.

A participação brasileira na Grande Guerra, embora inexpressiva, consolidou a política externa do país voltada para os Estados Unidos e abriu caminhos para uma tímida liderança brasileira na América Latina.

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